domingo, 15 de fevereiro de 2015

Por que tantos clubes têm ficado de fora da Segundona?

Nos últimos anos, tem virado tradição vermos vários clubes pedindo afastamento do futebol profissional ou que tentam jogar a Segundona, mas que ficam de fora por algum motivo. Esse ano, vimos o auge desse fato: Nada mais e nada menos do que 15 clubes que jogaram no ano passado vão ficar de fora do campeonato paulista desse ano. Esse número marcou o novo recorde de clubes ficando de fora do certame desde 2005, quando a Quarta Divisão se tornou a última divisão do futebol paulista.

Muitos ficaram assustados com a quantidade de clubes, incluindo nesse embolo dois clubes repletos de história, tradição e que ficaram vários anos na elite do futebol paulista e chegaram até mesmo a disputar a Série A do campeonato brasileiro, que são União São João e XV de Jaú.

O Portal da Segundona Paulista selecionou os principais fatores que determinam na escolha do afastamento do clube durante um ano:

1 - Estádio

Talvez seja o principal fator que complica muitos clubes. Como a FPF adora implantar normas para qualificar os estádios para a disputa da quarta divisão, muitos clubes não conseguem os recursos suficientes para adequar seu estádio. Claro que, em muitas vezes, o próprio culpado por não conseguir ajeitar o estádio se torna o próprio clube, pois depois que é eliminado na competição ou está afastado durante um período, possui tempo suficiente para buscar recursos e ajuda para colocar o estádio nas normas exigidas, mas muitos resolvem deixar para resolver essa questão faltando poucos dias para o conselho técnico da competição.

O que também dificulta para muitos clubes é a questão do estádio municipal, onde quem precisa arrumar para o campeonato é a própria prefeitura, mas que muitas vezes, não aceitar ajudar o clube, não realizando as obras necessárias, ou então chegando até mesmo a proibir o clube de mandar os jogos ali, fazendo com que o time fique sem opção aonde jogue.

A maioria dos afastamentos desse ano vem por causa dessa questão do estádio. Nos casos do Pirassununguense e dos times de Mogi das Cruzes, o estádio de ambos estão em reforma, e ela não terminaria a tempo do início da competição. O Ceapê já havia noticiado o afastamento desse ano, já os times de Mogi tentaram mandar jogos em Guarulhos, Mauá, Taboão da Serra e até mesmo na Fazendinha (Corinthians), mas nenhum houve acordo fechado, e os dois terão que aguardar um ano.

2.1 - Problemas financeiros

Esse pode ser considerado o segundo maior fator para o afastamento dos clubes na competição, onde em alguns casos acaba se tornando o fator primário. Todos sabem que o futebol brasileiro em si está quebrado, boa parte dos clubes tem enfrentado dificuldades financeiras para bancar o clube durante uma temporada toda. Isso tem afetado até mesmo os clubes da elite brasileira, apenas relembrar o que tem passado o Botafogo do Rio de Janeiro nesses últimos tempos. 

O que pode salvar um clube são parcerias com empresas regionais ou então apoio de empresários, o que sacia a crise financeira, pois por conta própria, os clubes não tem dinheiro nem para pagar arroz e salsicha para alimentar os jogadores.

2.2 - Dívidas 

As dívidas tem pegado bem pesado com os clubes nesses últimos tempos. E o mais difícil é arranjar alguém que se responsabilize e que tenha grana para ajudar a pagar a maior parte das dívidas acumuladas pelas más administrações que levaram o clube a chegar a esse ponto. Vemos os casos de União São João e XV de Jaú, por exemplo, onde as dívidas chegaram a um nível que impediu que os clubes pudessem jogar o certame desse ano, e usarão essa pausa no futebol para colocar as coisas no devido lugar.

3 - FPF

Para muitos é a principal responsável pela atual situação no futebol paulista. Em partes, concordamos, mas não chega a ser a principal responsável, até porque, para ela estar lá é porque TODOS os clubes votaram de forma unânime para a reeleição do Del Nero, portanto, os clubes não podem reclamar que a FPF não ajuda em nada se eles mesmo tem medo de lutar pela mudança. Pelo menos, pelos comentários que lemos, o Reynaldo parece ser um cara melhor para conversar e já mostrou mudanças na competição, mas ainda sim, o trauma causado pelo Del Nero ainda não foi cicatrizado (e nem deverá), seu mandato conseguiu arruinar de vez vários clubes e colocou o futebol paulista em decadência no cenário brasileiro. Para ver isso, apenas ver o número de paulistas nas divisões do Brasileirão em 2003 e nos dias de hoje.

4 - Falta de apoio

Para muitos, já é complicado encontrar apoio estando em uma Série A-2 ou A-3, imagine então apoio para disputar a quarta divisão do paulista. Muitos clubes ainda sonham em retornar para o futebol profissional,  mas para que isso aconteça é necessário que apareçam empresas ou empresário para que dê aquela alavancada no clube, e na maior parte das vezes isso não ocorre.

5 - Problemas na estrutura 

São poucos os clubes que conseguem disputar um campeonato como a Segundona por vários anos seguidos. Infelizmente, nem todos são capazes de fazer isso. Vemos clubes como Ilha Solteira, Palmeirinha, Presidente Prudente FC e outros, que jogam a Segundona um ano e depois ficam afastado um, dois anos, retornando novamente, depois voltando a se afastar, e por ai vai. E como a Segundona desse ano resolveu aumentar na 1ª fase, é capaz de muitos clubes não aguentaram realizar 18 jogos, uma vez que estavam acostumados a fazer apenas 8, 10 jogos. E também, não é apenas o profissional, mas também tem as categorias de base, clubes disputando o sub-20, sub-17, sub-15 e outros torneios. Isso pesa e muito no financeiro e na organização do clube. Por causa disso, muitos abrem a mão de jogar o profissional para focar apenas nas bases.

6 - Divergências com a prefeitura

Ajuda da prefeitura nunca é ruim, cai bem para os clubes, mas também quando resolvem não ajudar, conseguem complicar tudo, ainda mais se o assunto for estádio. Apenas olhar o caso dos clubes de Araçatuba, onde ficarão de fora por mais um ano devido o prefeito não realizar as obras no estádio. Em Jacareí, o JAC foi despejado do estádio, e provavelmente não deverá voltar tão cedo no profissional.

Por fim, possuem outros motivos que fazem com que o clube fique de fora do campeonato, mas listamos os principais fatores que vemos todos os anos. Lamentamos a ausência dos 15 clubes na competição e dos demais que batalharam pela participação, torcemos para que consigam organizar suas pendências, buscar parceiros e melhorar sua situação financeira para retornar ao profissional o mais breve possível.

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Um comentário:

  1. O maior problema dos clubes do interior é financeiro. Não é culpa da FPF essa situação. A culpa maior é dos eleitores brasileiros que optaram por eleger partidos que atrasam o país, econômica e socialmente falando.

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